Por que muitas empresas desprezam a comunicação, mesmo arriscando o próprio negócio?

As organizações em geral enfrentam problemas no seu dia-a-dia. Quedas nas vendas, consumidores insatisfeitos, colaboradores desmotivados, concorrência agressiva, mudanças no ambiente de negócios, só para citar alguns.

Para enfrentar estes desafios é preciso ter estratégias que funcionem de maneira harmoniosa para eliminar ou minimizar estes entraves que dificultam o crescimento e a prosperidade dos negócios.

A comunicação é sem dúvida um dos mais importantes elementos dessas estratégias e tem um enorme potencial de reverter e em alguns casos até de evitar que o pior aconteça.

Há um grande número de trabalhos e artigos que mostram empresas de todo o mundo onde o valor de seus ativos intangíveis supera em muito a soma de todos os ativos tangíveis.

Por que então frequentemente a comunicação é relegada a segundo plano ou até mesmo descartada quando a situação se agrava?

Qual a razão de muitas empresas desprezarem um dos mais poderosos antídotos para as dificuldades que enfrentam, sejam elas externas ou internas, sejam comerciais ou institucionais?

Estar com dificuldades financeiras e não ter recurso algum para investir seria uma razão plausível, mas o que se vê com frequência são empresas com fôlego financeiro razoável priorizando investimentos em ativos físicos que muitas vezes não oferecem nenhuma garantia de retorno em detrimento de ações de comunicação que podem reverter maus resultados.

A resposta para essa questão é complexa e certamente não se esgota aqui.

Ela aparentemente começa por razões históricas e culturais.

Nossa sociedade vive ainda sob o legado e influência da era industrial, iminentemente concreta e materialista. Mesmo tendo nascido nesta era, a comunicação e o marketing são em sua essência conceituais e imateriais.

Há mais de 20 anos o futurólogo e escritor Alvin Toffler previu a transição de nossa sociedade para uma nova ordem baseada no conhecimento e que este conhecimento seria a nova moeda de uma nova economia super simbólica.

Pode parecer filosófico demais, mas de forma objetiva, ele antecipou que o valor do intangível associado ao conhecimento, criatividade e informação assumiriam o lugar e ultrapassariam o valor das coisas tangíveis associadas as estruturas, máquinas, objetos que traduzem e simbolizam a era industrial.

Mas assimilar este novo paradigma, aceitar esse novo conceito, é para muitos de nós uma tarefa muito difícil. Como atribuir mais valor ao que é abstrato do que ao que podemos ver e tocar?

Em virtude dessa dificuldade, muitas empresas e suas lideranças ainda teimam em minimizar a importância de sua imagem, de sua mensagem, de construir uma identidade e de trabalhar a sua comunicação.

Também por isso é mais fácil alocar enormes recursos para a construção de uma edificação qualquer do que aplicar uma fração disso em suas campanhas de marketing.

No Brasil, talvez por termos embarcado nestes movimentos de forma mais lenta e tardia que as nações mais desenvolvidas, o processo de evolução da economia rural para a urbanização e industrialização e a posterior transição para a economia baseada na informação, no conhecimento e na digitalização ainda oferece um elevado grau de resistência.

Talvez por isso ainda se atribui um valor muito menor ao que é conceitual e intangível.

Assim procedem em um desastroso descarte do patrimônio imagético, feito sem grande cerimônia de forma rápida e sem remorsos. Em geral estas empresas não o fazem de forma consciente e lúcida. O fazem por desconhecimento e incompreensão do mal que fazem a si mesmas.

“Os iletrados do século 21 não serão aqueles que não conseguem ler e escrever, mas aqueles que não conseguem aprender, desaprender e reaprender. ”
Alvin Tofler
O alerta para as empresas de todos os portes e setores é que a sua dificuldade em incorporar e aprender o valor e significado cada vez maior da marca, imagem, identidade e comunicação para suas estratégias pode comprometer irremediavelmente seu crescimento, sobrevivência e perpetuação.

Já passou a hora do Brasil e de suas empresas aprenderem que seu futuro dependente mais de sua imagem do que imaginam e que precisaremos investir muito e com enorme determinação para reverter o que já foi perdido até agora.

2017-07-11T13:48:09+00:00 Artigos, Blog|

Sobre o Autor:

Sócio-Diretor de criação da Criante, com mais de 17 anos de atuação em marketing e comunicação, Magno Santana é pós-graduado em marketing com experiências em consultoria, educação presencial e a distância e gestão de marketing.