A quinta matéria sobre inovação discute a aversão ao erro que engessa as empresas brasileiras.

Muitas vezes empresas anunciantes se veem em dificuldades com relação ao ambiente de negócios, essas dificuldades se refletem nos resultados em diferentes dimensões como: Queda nas vendas, perda de market share, redução do mind share, etc.

Sabemos que as razões para estes problemas em geral são complexas e de origem variada, mas frequentemente a comunicação tem potencial de contribuir para a reversão da situação, quando não é o fator decisivo para a recuperação.

Estratégias de comunicação criativas e inovadoras são requisitos necessários para o enfrentamento das dificuldades, mas é nesse momento que o medo de ousar e/ou a falta de tolerância ao erro imobilizam as empresas.

É consenso que a cultura brasileira é avessa ao risco, somos educados para não errar e chegamos a vida adulta com a ideia fixa de que temos que acertar sempre.

Essa doutrina está tão estabelecida que evita-se experimentar e busca-se exaustivamente a previsibilidade adotando como estratégia a imitação e a repetição de fórmulas prontas e testadas, ou seriam velhas e desgastadas? Isso quando não ficam acuadas e paralisadas pelo temor de falhar.

Poucos tem consciência de que esse medo imobilizante pode estar agravando os problemas.

O fato é que a solução para os impasses da atualidade passa pela disposição de pensar e agir fora da caixa. Ousadia e inovação são fundamentais.

Na Criante já vivenciamos inúmeras vezes o sepultamento de projetos arrojados e propostas inovadoras com argumentos do tipo: “Alguém já fez isso antes?”, “Não dará resultado em nosso caso”; “É uma ideia muito radical.”, e por aí vai.

Uma empresa reativa a mudança mata a criatividade e a inovação é impossível sem a disposição para o risco.

Empresas como a 3M acreditam que é preciso investir em inovação para não morrer, na sede do Google usam a frase break something (quebre alguma coisa) e no Facebook usam “Done is better than perfect” (feito é melhor do que perfeito.). Tudo para estimular a ousadia e a experimentação.

Nos Estados Unidos, mais exatamente no Vale do Silício a meca da inovação, existe até um festival chamado FailCon dedicado a apresentar os casos de fracassos como forma de aprendizado. (Já aconteceu em versão brasileira.)

Também na terra do Tio Sam usa-se a expressão “Fail Fast”(falhe rápido) simbolizando o espírito de que inovar é errar.

No novo ambiente de negócios a incerteza deve ser sua amiga, e é preciso estar preparado para tentar, errar, cair e levantar.

Considerando tudo isso, é preciso entender que publicidade é também um jogo de risco e é cada vez menos importante o que se fez e mais importante o que pode vir a ser feito.

Os algoritmos acabam nivelando todos e só quem ganha são as plataformas como o Youtube ou Facebook pois respostas exatas para problemas inexatos geram frustração. No final o diferencial é a criatividade e o toque humano.

Mas é claro que o que vale é a criatividade que resolve problemas e não a que tem como foco ganhar prêmios. Os anunciantes precisam buscar agências que entendam de negócios tanto quanto de criação.

“Se você sempre faz o que sempre fez, você sempre obterá o que sempre obteve.”

Albert Einstein