Esse é o primeiro artigo que preparei para compartilhar um pouco do que pude absorver em um evento que participei que reuniu muitos e importantes representantes desse movimento incontrolável que se acentua e acelera a cada dia na sociedade moderna, a inovação.

Durante 3 dias ouvi incessantemente o mantra “Inove ou morra” dito de várias formas diferentes.

Algo que apaziguou um pouco minhas inquietações foi constatar que sentimentos como incerteza, angustia, ansiedade e dúvida eram amplamente compartilhados por ouvintes e palestrantes. Sabe aquela sensação reconfortante de saber que não se está sozinho?

Por isso divido com todos que leem este artigo essa importante constatação. Se você tem vivenciado alguns destes desconfortos emocionais e aquela sensação de não dar conta de processar tanta informação e assimilar tantas mudanças, fique sabendo que está muito bem acompanhado por consultores, especialistas, pensadores e empresários de primeira linha e que atuam nas fronteiras do conhecimento.

Então, o que vai diferenciar cada um de nós é como lidamos com isso. Se nos fechamos em concha, entramos em negação, fugimos, ou a melhor das opções, abraçamos as mudanças e buscamos nos adaptar. Afinal como diz uma velha canção “o novo sempre vem”.

Uma das coisas que pude constatar na avalanche de informações a que tive acesso é que não há área ou setor imune a esse fenômeno, que segundo muitos especialistas é o momento de mudanças mais intensas na história da humanidade. Todas as atividades humanas já foram, estão sendo ou serão em breve impactadas pela onda de inovação que inunda o mundo e lamento informar que, por isso, não existe porto seguro.

Como não há precedentes para o que está acontecendo, não há mapa nem guia para seguir. Estamos todos construindo em “real time” a trilha desse mundo novo.

Talvez por isso ouvi muitas afirmações recorrentes e muitas contradições também. Ora, em uma realidade fluida e mutante, seria ingenuidade esperar altas doses de convergência e concordância. Nessa realidade líquida o que é verdade hoje, pode deixar de ser amanhã e de fato é isso que vem acontecendo.

Percebi um grande empenho em decodificar essa realidade e tentar dar um senso de ordem ao caos, e pelo menos algumas pistas foram discutidas que podem ajudar a transitar nesse cenário de incertezas.

Algo que me preocupou particularmente, foi o abismo que está se aprofundando entre as economias centrais e periféricas, os países mais avançados e os países pobres e em desenvolvimento e olhando mais de perto, entre as regiões mais favorecidas e as menos favorecidas desse nosso sofrido Brasil.

Há um sério risco de que a distância que separa estas realidades se torne intransponível caso não se dedique grandes esforços para minimizar isso. Sob pena de criarmos hordas de analfabetos digitais que serão excluídos e desfavorecidos aumentando a desigualdade e as tensões sociais.

Outro temor diz respeito ao modelo mental de parte significativa dos empresários, especialmente aqueles de regiões menos desenvolvidas, que não vem se preparando e não estão abertos a mudar e renovar suas visões e percepções.

Mas nesse início de século nem tudo é ameaçador e negativo. Uma visão emergente dos negócios vem se fortalecendo. A de que “é possível se dar bem, fazendo o bem”. Essa concepção contraria o paradigma do sucesso a qualquer preço e da competição predatória. Ética e humanidade ganham espaço na criação de um ecossistema de negócios onde prevaleça o ganha-ganha.

Isso significa uma parceria verdadeira em toda a cadeia produtiva e uma visão mais holística que compreenda a complexidade das relações e a necessidade de um maior equilíbrio de forças.

Para a geração dos Millennials, apenas empresas que adotem essa nova conduta terão espaço em seus corações e bolsos. Eles são muito menos tolerantes e até implacáveis com empresas que não os entendam e não comunguem esse ideário.

Assim, além de eficiência, qualidade e inovação, cabe às organizações encontrar sua verdade, praticá-la e comunicá-la adequadamente para ter maiores chances de sucesso.

Nos próximos artigos detalharei alguns pontos mais específicos sobre o tema visando disseminar a necessidade de ação. É preciso acelerar o engajamento em relação às mudanças. Antes que seja tarde demais.

“O segredo do sucesso não é prever o futuro. É preparar-se para um futuro que não pode ser previsto.”
Michel Hammer