Participei do evento RETAIL TRENDS/Pós-NRF (Que traz um resumo do maior evento de varejo do mundo) promovido pela GS&MD – Gouvêa de Souza. Foi muito enriquecedor. Trouxe informações, tendências e insights muito interessantes para o nosso mercado.

Perfil do novo consumidor da geração Z (9 a 24 anos), consolidação do setor de Shopping Centers no Brasil, aprofundamento da experiência no Ponto de Venda, consolidação da tendência do aprendizado e entretenimento nas lojas, Omnichannel como um fato consumado, Blended Retail, adoção crescente dos totens, Inteligência Artificial finalmente fornecendo prescrição agregando valor de forma direta e objetiva, Self-Checkout e a ascensão do valor compartilhado que inclui os 3C’s – Comunidade, Cliente e Colaborador.

Estes são apenas alguns dos exemplos e cases apresentados, mostrando que o futuro já é presente, as mudanças são colossais e não dá mais para esperar!

Veja este artigo: Comunicação é termômetro da economia.

Um alerta!

Mas além das oportunidades, vejo desafios a serem superados: O grande gap tecnológico do nosso varejo local e o mindset do empresariado regional, ainda muito conservador e resistente a mudanças. Muitas das ideias e exemplos apresentados precisam de uma boa dose de ousadia, disposição para a experimentação e tolerância ao erro. O apego ao paradigma do século XX de só apostar em soluções consagradas para não falhar, não se adéqua ao século XXI, mas esse aprendizado é mais árduo e lento do que gostaríamos que fosse.

Outro ponto relevante, quando se fala do Brasil e suas disparidade regionais, é a necessidade de um significativo aporte de recursos para a implementação de várias dessas soluções. Isso não representa problema para as grandes redes nacionais e internacionais que já passam por processos de consolidação, mas para os pequenas redes varejistas regionais o acesso e os investimentos necessários podem ser proibitivos. Nesse cenário ganha relevância a criatividade e capacidade de adaptação, buscando alternativas viáveis ou elaborando abordagens diferenciadas que possam diminuir o abismo que começa a se criar entre os grandes e os pequenos players.

Vale também destacar os aspectos culturais relacionados a muitas das novas abordagens. São Paulo não é Nova York, mas está mais próxima econômica e culturalmente que uma Salvador, Belém ou Palmas por exemplo. E isso pra ficar apenas nas capitais, pois no interior as diferenças são ainda mais profundas. Mesmo considerando a globalização e a disseminação da cultura digital em todo o planeta, ainda existem diferenças culturais que podem, se não impedir, pelo menos retardar a introdução de algumas propostas. Mais uma vez não deixa de ser uma excelente oportunidade de encontrar caminhos alternativos e criativos para fazer as coisas acontecerem.

Acredito que a força das mudanças é tão grande que transformará alguns e extinguirá aqueles que resistirem ou não conseguirem se adaptar. Mas além da adaptação, uma lição que precisa ser aprendida é que ninguém fará a transição sozinho. É preciso somar esforços, conhecimentos e competências em um networking baseado na meritocracia e no ganha-ganha, criando sinergia com players verdadeiramente comprometidos com o sucesso de todos os participantes da cadeia produtiva.

É preciso aprender que a nova regra é “se dar bem” fazendo o bem!

Leia também: Qual o futuro do varejo tradicional (offline)?

NRF - 2019

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Artigo atualizado em 23/03/2019