Com esse já são sete artigos sobre INOVAÇÃO nos negócios e na comunicação. Juro que não pretendia chegar a esse número, mas o tema não se exaure e há muito o que dizer. Vamos lá.

O varejo norte-americano é sem dúvida gerador de tendências e inovações, observado, seguido e copiado por todo o mundo.

O mercado online americano estima atingir o expressivo montante de U$ 523 bilhões nos próximos 5 anos, crescendo quase a uma taxa de quase 10% ao ano.

Pois é lá que está surgindo mais uma nova tendência, as Marcas Verticais Nativas Digitais (MVND), um novo conceito de varejo que surge impulsionado pelas redes sociais e aparece como um avanço em relação ao comércio digital estabelecido e uma alternativa para enfrentar gigantes digitais, como a Amazon, que se beneficiam da enorme escala para oferecer variedade e preços baixos difíceis de bater.

Mas o que são as MVND?

Esse novo modelo de varejo, também chamado de v-commerce brands, é o que alguns especialistas chamam da nova era do comércio digital ou “e-commerce 2.0” e se diferencia dos seus antecessores.

Gráfico de crescimento do número de negócios para Marcas Direct-to-Consumer (DTC)

Fonte: Relatório – The Top 25 Digitally Native Vertical Brands 2017 – PIXLEE

Vejamos as principais características desse modelo que o distingue tanto do e-commerce “tradicional”.

1. Acesso direto aos fornecedores

As MVND inovam ao desenvolver um relacionamento direto com os fornecedores eliminando os intermediários e as ineficiências da cadeia de suprimentos e obtendo reduções médias de 2% a 4%¨ no custo dos produtos vendidos gerando milhões de dólares em economia.

Além disso empresas v-commerce como a Everlane, aproveitam-se do relacionamento direto com os fabricantes para melhorar o marketing de seus produtos e oferecer maior transparência na formação do preço de seus produtos.

2. Ampliação da experiência com a marca

Nessa nova abordagem as marcas exploram o aumento do número de canais para oferecer uma experiência de usuário omnipresente e contínua.

Estas Marcas Verticais Nativas Digitais são baseadas na internet, nascidas digitais e interagem com seus clientes de forma primariamente online. Procuram construir uma marca fortemente associada a um estilo de vida que fale com as pessoas e dê forma às suas escolhas. Para construir essa comunidade, as marcas v-commerce apresentam e projetam seus produtos de forma altamente atraente e com uma mensagem consistente.

Os produtos são meticulosamente desenvolvidos para representar a identidade da marca e até o design da embalagem é pensado para ser compartilhados nas mídias sociais.

Para escalar a criação do conteúdo essas marcas estimulam a produção e utilizam fortemente conteúdo gerado pelos usuários.

Por exemplo: 74% dos clientes da marca Glossier tem o boca-a-boca como influenciador chave em suas decisões de compra e as redes sociais tem paper central em sua estratégia.

A produção espontânea de vídeos e fotos pelos consumidores da marca aumentam a conversão em 2X, amplifica a marca e é uma fonte ilimitada de conteúdo legítimo.

Estas empresas tem um profundo entendimento sobre o que inspira sua comunidade de seguidores.

3. Métodos alternativos de distribuição

O e-commerce tradicional é basicamente formado por revendedores que distribuem produtos de outras empresas e esse modelo favorece a grande escala e o baixo preço de gigantes como a Amazon.

As v-commerce encontraram uma forma alternativa de enfrentar isso chamado de modelo “direct to-consumer” (DTC) que reúne o crescimento de uma empresa de e-commerce com a distribuição controlada de produtos proprietários.

Estima-se que o DTC alcançará U$ 16 bilhões até 2020.

Para as Marcas Verticais Nativas Digitais o e-commerce é fundamental, mas não o principal ativo. Devido ao fato de venderem diretamente, estas empresas obtêm enormes quantidades de dados que lhes permitem testar e desenvolver novos produtos.

Outro aspecto curioso é que apesar do crescimento constante das vendas online, 94% do total de vendas do varejo é ainda nas lojas físicas e segundo pesquisas, cerca de 50% dos consumidores americanos preferem comprar nas lojas reais em lugar das lojas digitais.

Essa importância do mundo físico não está sendo desprezada pelas Marcas Verticais Nativas Digitais e a medida que amadurecem elas tem investido em lojas de tijolo e cimento, mas com a preocupação de garantir uma profunda integração com a experiência da marca, e suas inaugurações físicas são fortemente promovidas por influenciadores, estratégia de conteúdo e promoções.

4. Ampliação do engajamento nas mídias sociais.

As v-commerce dão uma enorme importância à construção de uma comunidade através do marketing um-pra-um. Com forte presença nas plataformas sociais levam seus serviços ao consumidor e conteúdos para as plataformas onde seus consumidores são ativos.

Segundo estudos da Bain Consulting, quando as empresas se engajam e respondem as solicitações de serviço ao consumidor através das mídias sociais, estes consumidores gastam entre 20% e 40% mais com a empresa que outros consumidores.

As MVND buscam ir além da transação comercial. Elas constroem uma experiência digital em que os consumidores podem se engajar e compartilhar sua lealdade. Especialmente as Millenials e a Geração Z.

“A única constante é a mudança”

Heráclito de Éfeso. 535 a.C.